Mídia Óptica.
Tiago Hierath
Uma breve história sobre impressoras, desenho de perspectiva, protestanismo e catolicismo, mídias ópticas, armas de fogo, computadores e muito mais!
Esse artigo é altamente inspirado nos livros do Friederich Kittler “Perspective and the book” e “Optical Media”, estão disponível de graça no site Monoskop.org.
Vamos checar diversos eventos históricos em arte e tecnologia, e eles vão começar a fazer sentido num padrão simbólico.
A prensa de Gutenberg, a prensa móvel é a primeira tecnologia a popularizar livros. Livros antigamente eram escritos sem espaços entre as palavras e eram produzidos manualmente por artesãos, até a prensa de gutenberg introduzir o espaço e automatizar a produção de livros.
Pouco antes disso, o sistema indo-arábico introduziu o numero zero, padronizando a contagem de números e matemática.
A prensa de gutenberg é uma tabela com vários e vários carimbos, um pra cada letra, e eles descem no papel para fazer uma página. Esses carimbos eram guardados em uma caixa, todos os carimbos da letra A eram guardados na divisória “A”, letras mais comuns tinham divisórias maiores, pois existiam mais carimbos.
Em criptografia, eventualmente descobrimos que é possível decifrar um texto contando qual a frequência de cada letra, a letra A em português é a mais comum, em inglês é a letra E. Num texto grande o suficiente, mesmo se criptografado, qualquer for o simbolo mais comum, deve ser um desses, e seria possível checar o resto.
Giorgio Vasari foi um pintor e arquiteto italiano, primeiro autor a escrever sobre como a invenção do desenho de perspectiva segue o mesmo símbolo da prensa de gutenberg. A prensa faz livros sem o trabalho humano de escrever cada letra, e em perspectiva você pode verificar as linhas sem ter que adivinhar onde eles vão.
E temos a tecnologia da caixa obscura, que é só uma caixa com um furo onde a luz do sol emite uma imagem na parede interna oposta. Essa invenção foi descrita por aristóteles num livro como forma de observar o eclipse sem queimar os seus olhos. Mas só no século XX um físico árabe construiu a primeira camara obscura e testou ela pra observar o eclipse, e funciona.
É importante notar que, Jesus inventou a primeira camara obscura e ela se chama olhos, olhos funcionam da mesma forma, e a imagem é sempre invertida. Pesquise e compare a anatomia do olho com uma camara obscura. Esse simbolo de inversão vai ser bem importante no futuro.
Hegel pensava que a primeira forma de arte/religião da humanidade era arquitetura, basicamente criar espaços vazios, tipo as piramides do Egito. E desenho de perspectiva é uma forma de economizar esse trabalho, onde você cria salas falsas que não existem, e elas se parecem com espaço novo e real.
A prensa de gutenberg e a invenção do numero zero também tem conexões interessantes com a invenção dos computadores. A prensa de gutenberg tinha um sistema bem parecido com pixels (os carimbos), onde os elementos são organizados numa malha de quadradinhos. E computadores não poderiam existir sem o numero zero servindo de abstração pro “vazio”.
Computadores são máquinas de cópia apenas, eles só conseguem fazer isso, e eles vieram com a promessa de um “Dia de Pentecostes” onde todo mundo vai poder se comunicar independente do idioma.
Desenho de perspectiva é basicamente rodar algorítmos, sequências de passos/regras, igual um computador faz, pra achar ângulos, basicamente matemática e geometria.
Agora que você me viu falando a palavra “vazio”, “zero” e “furo” várias vezes, a gente nota que é um movimento sútil na arte e tecnologia, que vai ser a base de tudo nessa época desde aos algarismos indo-arábicos, prensa de gutenberg, desenho em perspectiva e adiante. Vamos chamar isso de “seita ao vazio” por enquanto.
Fillipo Brunelleschi popularizou o desenho de perspectiva ocidental, ele não criou perspectiva e nem foi criada no renascentismo como todo mundo acredita, existe literatura extensa sobre como ela já existia na China e até a óbvia perspectiva bizantina, que só é invertida.
Até perspectiva medieval, com vários pontos de fuga num eixo vertical existia antes do renascentismo, mas se popularizou por causa de uma tecnologia do Brunelleschi, que era basicamente um cartão com um furo e um espelho.
E antes da perspectiva ocidental do renascentismo, o comum era perspectiva bizantina, que é linear, mas só é invertida nesse sentido:
Você deve ter aprendido na escola que é impossível representar o planeta Terra num mapa plano, então existem diversas projeções cartográficas (diversas formas de escanear a terra num papel) e todas são distorcidas. É impossível também representar a nossa visão num papel, por isso toda perspectiva é distorção do mundo real.
Se você desenhar uma mesa com 4 angulos de 90° em perspectiva, você vai ter que distorcer todos os ângulos na folha pra representar como a visão humana funciona.
A perspectiva bizantina funciona projetando o Objeto entre o observador e o papel. A perspectiva ocidental inverte isso (que surpresa) pra atingir um aspecto antropocentrico (quer dizer, realista), e representa o Objeto atrás do papel. A ocidental é basicamente a forma que enxergamos na vida real, tirando o fato que enxergamos em perspectiva curva, e perspectiva ocidental tem linhas retas.
Sim, nós enxergamos com linhas curvas, só temos um campo de visão estreito pra perceber isso.
Então agora temos, uma seita ao vazio e o simbolo novo de antropocentrismo em tecnologia e arte.
Agora que pinturas seguem o aspecto da visão humana no renascentismo, temos o surgimento do Protestantismo, que só foi possível com a prensa de gutenberg provavelmente. Um fato interessante é que ambos o protestantismo e o renascentismo foram plantados pela mesma familia de banqueiros Medici, vamos ver jajá como eles usaram o mesmo vazio/antropocentrismo pra destruir o dinheiro também.
Protestantismo foi basicamente plantado pela Familia Medici através de introduzir textos judaicos em estudos cristãos, existem artigos sobre isso, se alguém quiser eu procuro.
Também foram criadas as “armas ópticas” as armas que funcionam a partir de olhar pro seu ínimigo pra atacar ele, por exemplo numa mira em armas de fogo. Jesuitas católicos começaram a utilizar diversas e diversas mídias ópticas como armas, incluindo meditação baseada em imaginar o inferno e teatros como propaganda ideológica e fazendo isso, a igreja católica se tornou entretenimento, que antes era participação/adoração.
A igreja católica introduziu na arquitetura barroca o Trompe L-oeil, uma cúpula falsa que imita um furo pro céu, com núvens e etc, um truque de perspectiva.
Durante mais ou menos 1800, a literatura sofreu uma mudança drástica e começou a servir de mídia quasi-óptica, ela era um meio de provocar imaginação de imagens.
Até agora eu citei essa trend social como “Inversão/Antropocentrismo/Seita ao Vazio”, mas são basicamente a mesma coisa, Jesus é o que existe, “I AM”, e homens são “Não-ser”, eles dependem de Deus pra existir, por isso antropocentrismo e seita ao vazio são a mesma coisa.
Eu não vou falar tanto sobre música, mas pianos foram inventados 250 anos depois da prensa de gutenberg, e eles cortam a música em 12 notas e carimbos que fazem o som, então pelo menos na minha cabeça eu consigo ver um paralelo. E câmeras/fotografias usam negativos, filmes negativos pra revelar a foto, que é bem interessante de simbolo pra inversão.
Em economia, essa seita ao vazio se manifestou em Dinheiro Fiat em 1971 (apesar de ser uma ideia bem mais antiga [vide Fausto de Goethe]). A família Medici financiou o papa da época, e setou um começo pra dinheiro baseado em nada (vide 1971, acordo de nixon). Dinheiro baseado em nada foi uma das piores coisas a acontecer no ocidente (Vide wtfhappenedin1971.com).
Como a parte economica iria precisar de um artigo inteiro, eu vou parar por aqui.
O mais engraçado disso tudo é que impressoras ainda existem, e elas são a pior tecnologia de todos os tempos hahahahaha
Essa foi a seita ao numero zero na teologia (protestantismo), arte (renascentismo) e economia (dinheiro Fiat.)
Eu tenho um curso de desenho em tiagohierath.com, ele é bom.


